Quase dois terços dos trabalhadores temem ficar desempregados, diz pesquisa

Sindicato dos Bancários de Ribeirão Preto e Região recolhe assinaturas contra a PEC 06/2019 (Reforma da Previdência)
9 de abril de 2019
Agentes do mercado vão controlar Banco do Brasil
11 de abril de 2019
Mostrar tudo

Quase dois terços dos trabalhadores temem ficar desempregados, diz pesquisa

Além de desaprovar a reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro, os brasileiros temem ficar desempregados. Segundo pesquisa CUT/Vox Populi divulgada nesta segunda-feira (8), 62% dos entrevistados têm medo do desemprego, enquanto apenas 37% não demonstram essa preocupação e 1% entre os pesquisados não souberam ou não quiseram responder. A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 3 de abril.

Mais da metade dos cidadãos ouvidos pelo levantamento que se declararam apoiadores de Bolsonaro (54%) afirmaram temer o desemprego. Entre os eleitores anti-Bolsonaro, 68% se manifestaram temerosos de perder o emprego. O desemprego já chegou a 13,1 milhões de pessoas no Brasil, de acordo com o IBGE.

Na opinião do presidente da CUT, Vagner Freitas, o estudo CUT/Vox Populi revela que os brasileiros estão percebendo a situação na própria realidade. De acordo com os dados da pesquisa, entre os entrevistados, 44% afirmaram ter entre um ou mais desempregados na família.

“Temer garantiu que a reforma trabalhista geraria 8 milhões de empregos em dois anos e o resultado foi o aumento do desemprego. As pessoas estão percebendo isso. Estão sentindo na pele o drama em suas famílias”, diz Vagner.

“E agora Bolsonaro quer ampliar a informalidade, tirar ainda mais direitos com a reforma da Previdência, e criar uma geração de miseráveis. É mentira que essas reformas (Trabalhista e da Previdência) geram empregos e o povo já sabe disso”, afirma o dirigente.

Já para o presidente da República, a culpa dos números negativos é da metodologia do IBGE. “Com todo respeito ao IBGE, essa metodologia, em que pese ser aplicada em outros países, não é a mais correta”, avaliou ele na semana passada. “Leva-se em conta quem está procurando emprego. Quem não procura emprego, não está desempregado”, disse ainda.

Na opinião do presidente da CUT, apenas o crescimento econômico, com distribuição de renda e aumento do emprego formal, pode gerar emprego.

A percepção de 78% dos entrevistados é de que as taxas de desemprego são maiores hoje do que há três anos, enquanto 13% acreditam que diminuiu, 8% acham que não mudou e 1% não soube ou não quis responder.

A impressão de piora é alta mesmo entre os pesquisados pró-Bolsonaro. Para 72% deles, o quadro hoje é pior do que há três anos, quando o país ainda era governado por Dilma Rousseff. Já para os entrevistados anti-Bolsonaro, a situação do mercado de trabalho está pior para 85%.

Petrobras

A pesquisa CUT/Vox Populi também perguntou aos trabalhadores se são a favor ou contra a privatização da Petrobras. Quase dois terços, ou 65%, responderam ser contra, 25% a favor e 15% não responderam.

O estudo quis saber quem seria o principal beneficiado com a venda da estatal brasileira. Na opinião de 35%, apenas empresários, acionistas e investidores se beneficiariam, enquanto 25% responderam que apenas o governo federal sairia beneficiado e, para  19%, a privatização traria benefícios para todo mundo.

Em outra abordagem da pesquisa, 65% dos brasileiros se manifestaram contra a reforma da Previdência. De acordo com o estudo, 26% são a favor  da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, enquanto 9% não souberam ou não quiseram responder.

A pesquisa entrevistou 1.985 pessoas com mais de 16 anos e foi realizada em 120 municípios do Brasil, entre capitais, regiões metropolitanas e interior. A margem de erro é de 2,2%, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

 

Fonte da pesqueisa: CUT VOX POPULI