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Fachada do Banco do Brasil. Brasilia, 03-06-2019. Foto: Sérgio Lima/PODER 360

A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) se reúne com o banco na tarde de hoje quarta-feira (22), para tratar do assunto.

BB, respeite a vida: defendê-la, isso sim, é a preocupação primeira, não as metas!

O Banco do Brasil determinou no dia de ontem, 21 de julho, que os funcionários afastados por coabitarem com pessoas integrantes do grupo de risco para o coronavírus retornem ao trabalho no próximo dia 27, segunda-feira.

O banco justifica a medida com base na Portaria Conjunta nº 20 do Ministério da Economia/Secretaria Especial de Previdência e Trabalho e Ministério da Saúde, editada no dia 18 de junho, que orienta o afastamento apenas dos trabalhadores que fazem parte do grupo de risco. Inclusive a citada portaria reduziu o número de doenças; e portaria anterior previa o afastamento do trabalho de quem coabitava com pessoas do grupo de risco.

O BB também usa como argumento o recém firmado Acordo Coletivo de Trabalho Emergencial (Pandemia de Covid-19) com os sindicatos que, no parágrafo único da cláusula 1ª, prevê como “púbico prioritário ao teletrabalho, trabalho remoto ou outro tipo de trabalho à distância, os funcionários autodeclarados como pertencentes ao grupo de risco”.

Na prática o BB adere de corpo e alma à política genocida do governo de Jair Bolsonaro, que insiste na retomada imediata das atividades econômicas/comerciais. E mais: ao citar o acordo com os sindicatos quer transferir responsabilidades. A proposta da Comissão de Empresa dos Funcionários (CEBB), que negociou o acordo com o banco, era incluir quem coabita com o grupo de risco como público prioritário, como vigora atualmente. O banco, no entanto, não aceitou.

Além disso tudo, como fica a situação das bancárias que coabitam com pessoas do grupo de risco e têm filhos em idade escolar? Com a palavra a alta direção do BB.

Metas abusivas

O ritmo de trabalho permanece intenso dentro do sistema financeiro, mesmo em plena pandemia da Covid-19 e, no BB, não é diferente. Quem desempenha a sua função no local de trabalho ou em casa (teletrabalho) tem metas abusivas a cumprir. E quem está afastado e sem atividade (Banco de Horas, férias), nesta fase da pandemia, com certeza, não será poupado ao retornar. A cobrança é tão letal quanto à Covid-19.

No atual estágio da pandemia, é fundamental manter apenas os serviços essenciais, previstos no Decreto nº 10.282, de 20 de março de 2020. O Artigo 3º do citado decreto afirma: “São serviços públicos e atividades essenciais aqueles indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade”. Já o inciso XX do referido artigo define como essenciais os seguintes serviços: “compensação bancária, redes de cartões de crédito e débito, caixas bancários eletrônicos e outros serviços não presenciais de instituições financeiras”.